segunda-feira, 24 de novembro de 2014

minha vida...

A "vida" inteira eu reclamei da vida. No último mês repeti a frase "queria estar morta" pelo menos 400x. Mais sabe o que eu descobri? Que eu adoro viver! Que Deus está presente em tudo, nas pequenas coisas, nas grandes pessoas e em todos os acontecimentos.

Descobri que adoro acordar pela manhã e sair cambaleante até o banheiro para escovar os dentes, tomar banho, fazer xixi. E adoro minha mãe gritando "eu tô saindo, você vai ficar ai", sempre pego uma maçã e saio correndo para o carro. 
Eu adoro trabalhar, me sentir útil, adulta, profissional. Gosto também de ser crítica, chata, bater de frente com a maioria das coisas, ter uma "personalidade dificil", afinal, esse é o meu jeitinho. 
Eu adoro chegar na faculdade e gritar "ei imensa" para os meus amigxs. Eu adoro ganhar um abraço confortável. Chegar no RU e reclamar da comida, dizer que tô cansada de salada, que não posso comer arroz e perguntar "hoje o suco é de que cor?" também me faz feliz. Eu adoro risadas, rir, risos, pessoas. Eu amo a felicidade.
Feliz eu fico mesmo, quando aquele açaí,  que eu combinei de tomar com minhas velhas amigas em março de 2012, dá certo.  Gosto também de reclamar que elas namoram e não têm mais tempo pra mim. Adoro os novos amigos que Deus colocou na minha vida, eu nunca imaginei que pudesse contar com TANTA gente boa. 
Eu adoro nunca ter tempo pra ir na academia, mas detesto quando não dá pra caminhar na praça dos girassóis. Gosto de ver os carros passando, as pessoas conversando, os pássaros voando. Adoro ver um homem bonito e cheiroso passando por mim e adoro ainda mais quando a boca dele tá na minha.
Também sou apaixonada pelo meu irmão, pela minha mãe e pela minha vó. Gosto de ver meu pai bem e feliz. Adoro ir na terapia e fico chateada por descobrir que quanto mais eu me conheço, mais merda eu faço. Gosto de reclamar e falar bosta no twitter. 

Gostava de reclamar da vida também...mas hoje tudo o que eu quero é AGRADECER por ela e pelas pessoas especiais que Deus me deu. Sinceramente? Muito Obrigada! 


terça-feira, 16 de setembro de 2014

"eu e meu marido, um só"

Desde muito cedo as mulheres lutam por representatividade política, por igualdade de gênero e de direitos. Hoje, a grande luta do movimento feminista é por uma reforma política que amplie a presença das mulheres nos espaços de poder e por uma democracia participativa, para que as mulheres também possam protagonizar as principais decisões e mudanças do país. Justo, lindo, um sonho.

Nós, mulheres, precisamos de representatividade no congresso, nas assembleias, nas câmaras. Mas, não precisamos oportunizar apenas UMA mulher, mas UMA MULHER que lute em prol de nossas causas, que lute ao favor de nossos direitos, que não privatize e mercantilize nossos corpos, que nos garanta a liberdade do corpo e da mente. Atualmente, o setor conservador tem se mostrado muito forte no processo eleitoral, travando discussões importantes como a questão do aborto e do casamento gay. Precisamos de mulheres nesses espaços!!!

A política é historicamente dominada pelos homens e as mulheres têm permitido que essa dominação se estenda. Não precisamos ir muito longe para citar um exemplo de dominação e submissão, vamos olhar para o cenário político tocantinense. Semana passada, o candidato a vice-governador da coligação “A experiência faz a mudança”, Marcelo Lelis (PV), teve o registro de sua candidatura rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e renunciou sua candidatura ao cargo.

Ok. Até ai tudo bem. Mas essa semana, adivinha quem registrou candidatura ao cargo? Não, não foi nenhum outro nome de peso da coligação e sim a esposa de Marcelo, Cláudia Lelis. Qual a intenção de inserção no cenário político? Participar do processo? Representar as mulheres? Não, nenhuma das alternativas, até que alguém prove o contrário. A intenção é falar, sem palavras, que Lelis continua ali. Seria algo como: “Olha, minha candidatura foi rejeitada, mas a minha mulher está aqui, meu sobrenome está aqui, eu estou aqui, ainda serei eu que darei as coordenadas, que comandarei, usarei o NOME dela para mim”.

Porque as mulheres têm se permitido isso? Com a morte de Eduardo Campos (PSB) surgiram rumores que a sua mulher, Renata Campos, assumiria a candidatura à presidência. Mas para quê? Para dizer, “Eduardo Campos não morreu, o sobrenome ainda estará aqui, as ideias dele também vão estar, somos um só”. A esposa é mulher, é companheira, constrói e cresce junto, mas ela não é e nunca será uma extensão do marido, não existe um só.


As mulheres têm ideias próprias, têm posicionamento, têm sua luta de classe...Ok que não tenha luta de classe, ok que não tenha ideias próprias, ok que não tenha posicionamento político. Mas agora, virar “propriedade” do marido para garantir que ele não retire seu nome de um processo eleitoral é demais pra mim e, sem dúvidas, envergonha à luta de todas as mulheres pelos seus direitos e contra a dominação. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

não preciso de mais títulos..

Hoje eu não queria acordar pela manhã.
Eu não queria enfrentar os meus problemas.
Eu não queria encarar os meus medos.
Eu queria dormir.
Mas fugir nunca adiantou.
Sonhar sim...
Eu rascunho a minha felicidade todos os dias antes de dormir.

Deve ser por isso que eu nunca quero acordar. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

NÃO de CL

Não me provoque, tenho armas escondidas...
Não me manipule, nasci para ser livre...
Não me engane, posso não resistir...
Não grite, tenho o péssimo hábito de revidar...
Não me magoe, meu coração já tem muitas mágoas..

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

super-conectado

Presenciei um assalto.

Pela primeira vez vi algo assim, mas não sei dizer o que me surpreendeu mais.

Era um dia ensolarado na capital palmense, pra variar, e o movimento na avenida JK era intenso. Não imaginava que aquela hora do dia, com uma grande movimentação de pessoas, fosse encontrar  um indivíduo sentado em um banquinho, com um notebook conectado a um modem 3G no colo, um smartfone no ouvido e o outro na mão. Mas as pessoas que passavam não estavam enxergando aquele cara sentado ali, todo mundo também estava conectado ao seu universo tecnológico. Eu também estava, mas a bateria do meu aparelho celular acabou e fui obrigada a observar o que estava se passando no local, claro, enquanto procurava com certo desespero uma tomada. Foi quando dois caras, jovens e fortes, abordaram o rapaz conectado a vários apetrechos tecnológicos. Na mesma hora, um dos celulares que estava na mão, foi direto ao chão e do chão para o bolso de um dos caras que abordaram o rapaz sentado, que vou chamar de super-conectado. Um canivete apontado para o rosto do super-conectado o desconectou. Com sua arma, os caras jovens e fortes, que vou chamar de assaltantes, pegaram todos os acessórios e apetrechos, e celulares, e computadores, e afins e colocaram tudo dentro da mochila, que deveria ser o altar sagrado do super-conectado. E neste momento eu fui surpreendida, o assalto não era nada perto do que eu estava prestes a presenciar, o super-conectado tentou reagir, mas foi em vão e após a partida dos assaltantes com toda a vida do super-conectado, este ficou sem reação. Era como se o canivete o tivesse atingido em todas as partes do corpo, sua expressão era de horror, de desgraça e ele gritou, ele chorou, ele esperneou, mas ninguém ouviu, ninguém fez nada, ninguém o via ali. O super-conectado começou a observar as pessoas passando, começou a sentir seus gritos abafados pelo eco dos toques dos celulares, viu suas lágrimas caindo pelo mesmo motivo que mantinha as pessoas distantes dele, começou a se questionar em que mundo vivia e porque continuaria vivendo em um mundo sem seus apetrechos, ninguém sabia o quanto aquilo valia pra ele e não valia nada. Será que super-conectado tinha amigos? Uma família? Namorada? Observou todos a sua volta, não dava pra viver nesse mundo real. Se jogou em frente ao trânsito intenso, ninguém o viu. Mas eu estava ali, horrorizada. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

nunca mais..

Escrever é um velho hábito que deixei morrer. Deixei morrer ou matei, não sei definir bem. O que sei é que nunca mais escrevi. Bem, escrever, eu escrevi. A profissão me obriga a escrever e a escrever bem e a escrever o tempo todo. Mas escrever por amor, nunca mais! Por amor, por amor a escrita, por amor a vontade de escrever, por amar. Falando nisso eu nunca mais amei. E não foi por querer não amar, foi porque eu nunca mais amei mesmo. Nunca mais ninguém e nada despertou esse amor.